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Cirurgia de correção de marcha

Quando a cirurgia de correção de marcha pode ser avaliada?

A possibilidade de intervenção cirúrgica para correção da marcha costuma ser considerada quando as abordagens conservadoras (como o gesso seriado, a fisioterapia, as órteses e os medicamentos injetáveis para controle do tônus) não produzem os resultados esperados. Um dos conceitos que orientam o planejamento cirúrgico é a correção dos distúrbios de braço de alavanca, que podem comprometer a eficiência da marcha e sobrecarregar articulações ao longo do tempo.

A avaliação clínica detalhada, a história da criança e os achados do exame físico e, quando disponível, da análise tridimensional da marcha, são fundamentais para definir se e quando a cirurgia representa o melhor caminho para cada paciente.

Procedimentos que podem ser considerados na correção da marcha em equino

A escolha da técnica cirúrgica, quando indicada, é sempre individualizada e depende da causa, da gravidade do encurtamento, da idade da criança e dos achados da avaliação.

Entre as abordagens que podem ser consideradas:

  • Alongamento do tendão de Aquiles: pode auxiliar na redução da tensão que contribui para a marcha em equino

  • Alongamento isolado do gastrocnêmio com preservação do músculo sóleo: abordagem que busca evitar o superalongamento — aspecto especialmente relevante em crianças com PC

  • Liberação cirúrgica de tendões encurtados: pode ampliar a amplitude de movimento articular

  • Osteotomia do pé: pode corrigir deformidades ósseas que contribuem para o posicionamento inadequado

  • Correção de deformidades articulares: aborda anormalidades que afetam o padrão de apoio

  • Transferência de tendões: busca restaurar o equilíbrio muscular e melhorar a orientação do pé

Considerações nos casos sem causa identificável

Nos casos em que não há causa neurológica identificável para a marcha em equino, as abordagens cirúrgicas, quando avaliadas como pertinentes, seguem princípios semelhantes — com adaptações conforme as características individuais de cada criança. A decisão é tomada após esgotamento criterioso das opções conservadoras e avaliação clínica minuciosa.

Considerações em crianças do espectro autista

Em crianças com TEA que apresentam marcha persistente na ponta dos pés, a possibilidade cirúrgica pode ser avaliada quando o tratamento conservador não produz evolução satisfatória. O planejamento e o manejo pós-operatório devem levar em conta as particularidades comportamentais e sensoriais associadas ao espectro, sempre com envolvimento da equipe multidisciplinar.

Como é tomada a decisão cirúrgica?

A possibilidade de cirurgia é avaliada de forma altamente individualizada. Entre os fatores considerados estão: natureza e gravidade da alteração de marcha, idade da criança, resposta às abordagens anteriores, exame físico completo, análise tridimensional da marcha quando disponível e impacto funcional na qualidade de vida. Nenhuma decisão é tomada sem avaliação clínica detalhada e discussão compartilhada com a família.