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Cirurgia preventiva e reconstrução de quadril

Luxação do quadril na paralisia cerebral

A luxação do quadril é uma das complicações ortopédicas mais relevantes na paralisia cerebral, com alta prevalência e potencial impacto na qualidade de vida. A maioria das crianças com PC nasce com os quadris normais. O deslocamento é adquirido ao longo do crescimento, como consequência do desequilíbrio muscular gerado pela espasticidade — especialmente dos adutores e flexores do quadril.

O risco de desenvolvimento de subluxação ou luxação varia conforme o nível funcional da criança e tende a ser maior naquelas com maior comprometimento. Por isso, o acompanhamento sistemático dos quadris é considerado fundamental para todos os pacientes com paralisia cerebral.

Por que o acompanhamento dos quadris é tão importante?

A progressão da subluxação pode ocorrer de forma silenciosa, sem sintomas evidentes nos estágios iniciais. O rastreamento radiológico sistemático, com frequência definida conforme o nível funcional e a faixa etária, permite identificar precocemente alterações que podem se beneficiar de intervenções menos invasivas.

O acompanhamento com ortopedista especializado e a realização dos exames de imagem nos intervalos recomendados são fundamentais para que a evolução do quadril seja monitorada com segurança.

Quando abordagens cirúrgicas podem ser avaliadas?

Quando alterações iniciais nos quadris são identificadas, diferentes medidas podem ser avaliadas para contribuir com o controle da progressão, sempre a critério do especialista:

Medicamento injetável para controle do tônus: pode contribuir para a redução temporária da espasticidade muscular

Tenotomia dos adutores e flexores do quadril:
liberação cirúrgica dos músculos que exercem tração sobre o quadril

Hemiepifisiodese do fêmur proximal: procedimento que busca modular o crescimento do fêmur proximal para contribuir com o controle da progressão A escolha entre as opções depende dos achados clínicos e radiológicos, da idade, do nível funcional e da velocidade de progressão identificada no acompanhamento.

Cirurgia de reconstrução do quadril

Em casos de subluxação mais avançada e em progressão, a cirurgia de reconstrução pode ser avaliada com o objetivo de reposicionar a cabeça femoral dentro do acetábulo e contribuir para a estabilidade articular.

O procedimento pode incluir osteotomia do fêmur proximal, correção do acetábulo quando necessário e tenotomias associadas, conforme as necessidades específicas de cada paciente. A decisão é tomada após planejamento detalhado, com avaliação do estado clínico geral da criança e alinhamento com a equipe multidisciplinar.

Como é a recuperação após a cirurgia de quadril?

Por envolver um procedimento de maior porte, o período pós-operatório costuma ser iniciado em ambiente de terapia intensiva. O tempo de internação e as necessidades durante a recuperação variam conforme cada caso. A fisioterapia pode ser iniciada precocemente, com mobilização progressiva conforme a evolução da criança.

Outras possibilidades em casos mais avançados

Em pacientes mais velhos com quadris gravemente acometidos, onde a reconstrução pode não ser mais viável, outras abordagens podem ser avaliadas com foco no alívio da dor e na melhora da mobilidade residual, incluindo, em situações muito selecionadas, a artroplastia do quadril.